Aceitei que é convenção sonhar
sobre profissão quando criança, mas nunca exercer quando adulto. Embora também tenha
escutado que não vale a pena ficar lembrando o passado, vale a pena aproveitar
o dia, carpe diem. Só pra mim que esse
carpe diem soa tão forçado que chega
dá preguiça? P**** de carpe diem. Não quero aproveitar como a
palavra soa: tão cheia de álcool ou tão cheia de “siga sempre sorrindo”.
Vamos ao real problema: não
gostar do carpe diem, mas também não
gostar da idéia de deixar de aproveitar o dia. Não gostar de um “use filtro
solar”, mas acreditar que isso traz algum benefício. Não gostar de um “vá ler um livro”, mas gostar
dos livros. Não gostar de um “saia do computador”, mas acreditar que é de
extrema necessidade deixa o hábito de passar quase 11 horas por dia olhando
para essa querida vida virtual.
Falta paciência pra estilo de
vida, verdade, mas não que seja só isso. Essa coisa toda é incoerente. Carpe diem pode ser doença: carpendiezar
adoidado e ainda ser triste, achando que não carpedieniza o suficiente. Encher
a cara de filtro solar porque ouviu Pedro Bial dizendo que é pra usar,
prolongando a saúde da pele e a doença do coração. Mudar de caminho todos os
dias pra evitar a rotina (só não acho estupidez se for uma medida contra
ladrões), mas continuar caminhando com a postura errada e os ombros cansados.
Perda de significado, perda de tempo.
Realmente não é minha intenção te
dizer o que fazer, já que eu acho que é isso que causa essa antipatia, mas talvez
eu saiba o que fazer no meu caso. Não vou acordar com carpe diem na cabeça, nem espalhá-lo aos quatro ventos. Vou
esquecê-lo até que a regra se torne exceção e recupere seu valor perdido. Vou
sair mais do computador, mas porque tem significado pra mim. Vou enfrentar minha procrastinação, o violão,
os livros, os exercícios físicos, quem sabe até usar filtro solar. Nessa
confusão a gente até esquece que previne o câncer de pele.