5 de novembro de 2011

Carpe filtrus solarium


Aceitei que é convenção sonhar sobre profissão quando criança, mas nunca exercer quando adulto. Embora também tenha escutado que não vale a pena ficar lembrando o passado, vale a pena aproveitar o dia, carpe diem. Só pra mim que esse carpe diem soa tão forçado que chega dá preguiça? P**** de carpe diem. Não quero aproveitar como a palavra soa: tão cheia de álcool ou tão cheia de “siga sempre sorrindo”.

Vamos ao real problema: não gostar do carpe diem, mas também não gostar da idéia de deixar de aproveitar o dia. Não gostar de um “use filtro solar”, mas acreditar que isso traz algum benefício.  Não gostar de um “vá ler um livro”, mas gostar dos livros. Não gostar de um “saia do computador”, mas acreditar que é de extrema necessidade deixa o hábito de passar quase 11 horas por dia olhando para essa querida vida virtual.

Falta paciência pra estilo de vida, verdade, mas não que seja só isso. Essa coisa toda é incoerente. Carpe diem pode ser doença: carpendiezar adoidado e ainda ser triste, achando que não carpedieniza o suficiente. Encher a cara de filtro solar porque ouviu Pedro Bial dizendo que é pra usar, prolongando a saúde da pele e a doença do coração. Mudar de caminho todos os dias pra evitar a rotina (só não acho estupidez se for uma medida contra ladrões), mas continuar caminhando com a postura errada e os ombros cansados. Perda de significado, perda de tempo.

Realmente não é minha intenção te dizer o que fazer, já que eu acho que é isso que causa essa antipatia, mas talvez eu saiba o que fazer no meu caso. Não vou acordar com carpe diem na cabeça, nem espalhá-lo aos quatro ventos. Vou esquecê-lo até que a regra se torne exceção e recupere seu valor perdido. Vou sair mais do computador, mas porque tem significado pra mim. Vou enfrentar minha procrastinação, o violão, os livros, os exercícios físicos, quem sabe até usar filtro solar. Nessa confusão a gente até esquece que previne o câncer de pele.