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Destino na linha 1344654435643

O orelhão tocava num ritmo frenético. Um orelhão tocando no meio da rua era algo um tanto idiota para milhares de pessoas que passavam de um lado para outro, elas nem ligavam, continuavam suas vidinhas corridas. Até que, Rodriguez, um cara que passava por ali, resolveu atender no ápice de sua curiosidade:

- Alô?
- Oi, tudo bom?
- Err...Tudo sim, quer falar com quem?
- Ah, tava aqui de bobeira e disquei um número qualquer, queria conversar.
- Quem é você mesmo?
- Ah, quem fala é a Lívia.
- Lívia, desculpa , quantos anos?
- Eu tenho 20, porque?
- Você não é um pouco grandinha pra passar trote?
- Idade é algo um tanto relativo e eu não estou passando trote. Só não tenho com quem conversar, precisava falar com alguém. Apresente-se.
- Bem, não sou muito de confiar nas pessoas, mas sua voz é segura. Vou lhe dar o benefício da dúvida. Eu me chamo Rodriguez. Tenho 22. Por pura curiosidade vim parar por aqui. Eita, mas que falta de educação a minha, você está bem?
- Mais ou menos, depois te conto. Ham. Nome bonito. Sua voz também é bonita. Você deve ser feio, mas eu não me importo.
- (Risos) É, não sou nenhum modelo não, mas nossa conversa não tem segundas intenções, ou eu estou enganado?
- Não, não (Risos).
- Você não me vê, nem eu te vejo.
- Será? (Risos) Sério mesmo, sua voz é bonita, é agradável.
- Obrigado, obrigado. Você também parece ser...bem...meio...
- O que? O que?
- Maluca. Tem certeza que você não está num hospício? Ou algo parecido?
- Há. Eu sou maluca mesmo.
- (Risos) Descobri agora que não é. Malucos não adimitem que são malucos.
- Obrigada! Mas, mudando de assunto, você trabalha em que?
- Ah, eu cozinho num restaurante italiano.
- Bem diferente, macarrão é tudo de bom!
- E a Srta. Lívia?
- Bem, quem lhe disse que sou Srta?
- Eu deduzi apenas.
- Como?
- Primeiro: se fosse comprometida estaria conversando agora com a pessoa. Segundo: tanto elogio não partiria de alguém compromissado. Terceiro: riu quando eu falei em segundas intenções.
- Elementar, meu caro! Está certo.
- Então, responda, trabalha em que?
- Sou operadora de telemarketing.
- Ah, tá explicado! (Risos)
- (Risos) Então, você e um curioso hein?
- Acho que sim e pelo visto isso é bom.
- Porque?
- Pessoas não-curiosas não conhecem pessoas especiais via telefone público numa noite de segunda.
- E pessoas meio estranhas como eu, se não fossem estranhas, não conheceriam um jovem cozinheiro curioso do papo bom.
- É, você me conhece bem. (Risos)
- E eu não sou tão legal quanto você diz...
- Duvido muito.
- Mas como? Você acabou de me conhecer, entre aspas.
- É que eu sou muito sensitivo e observador. Você é uma pessoa boa, só que está triste. Por que?
- Bem, eu sou muito sozinha. Parece que eu uso um repelente de pessoas. Não falando só de namorados e tal, mas, amigos, família...
- Quero te provar que existem pessoas imunes a repelente. Confia em mim?
- Sim!
- Que tal um café?
- Então espera que já já eu estou aí. Fique onde está. Fica aí!
- (Som da linha).
- Como?

Ele ficou lá esperando com uma cara tão hilária que merecia ser fotografada. De um prédio comercial saía uma mulher de cor parda, cabelos cacheados e vistosos, magra, correndo. Avistou o orelhão e pegou o celular. O orelhão novamente denunciava uma chamada. Rodriguez quase deixava cair o fone de tão afoito.

- A-Alô?
- Nossa, até gaguejou. Tá nervoso?
- Não.
- Tem certeza? Você tá tremendo.
- Ei, peraí, onde você está?
- No banquinho do lado.

Rodriguez ficou estático. A mulher com que ele falava, que ele jurava que era feia, era uma menina normal, magra, mas com um brilho incomum nos olhos.

- Eu adoro café – disse ela entrelaçando o seu braço no de Rodriguez, que retribuía um sorriso radiante.

FIM

Não, nada disso. Lívia era maluca, era um trote e ela não apareceu. Acredite no final que for mais interessante para você, seja um cético ou um otimista.

22 comentários:

Gracy disse...

nossa...imaginei tantos finais aqui agora..
heieheiheieheiheiehe

César Fernández disse...

Não existe Lívia, o único maluco da história era o Rodriguez...

rsrs

Gostei.
Você podia escrever roteiros de filmes do tipo "suspense psicológico".

Só não entendi como a minha frase te fez mudar o final :x


abraço!

Enterufter disse...

Eu gostei do 1º final. Acho que sou otimista.

Adorei a história, super legal.

Abraços Amigo.

Criiis ;) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Criiis ;) disse...

Ah eu penso que foi o Luciano Huck quem ligou. ahahahaha
bom texto!
beijoos :*

Eolo, Senhor dos Ventos... disse...

Na verdade, como toda certeza ela o observava e havia anotado o telefone do orelhão pra que pudesse ligar de algum lugar seguro.
Mas foi um ótimo texto Dexx, os dois finais fazem sentido.
Obrigado pela oportunidade de uma boa leitura caro ponto.
Abraço.

Alice disse...

... hehheeee... é isso aí garoto !!! tem que colocar a rapaziada pea pensar !
Parabens pelo texto .... bjkasssssssss

subby disse...

otimista!
=D
huahuahauha


deu vontade de pegar o tel e discar um número qq aki!

mas só pra conversar mesmo..
pq sou totalmente comprimissada.. nada de café. hueheuheueh

***=

Bernardo Lima disse...

Opa, Helder, blz?
vim retribuir a boa visita que fizeres lá no Reflexões.
mt tempo que não passo aqui, né?
rsrs
Então..sobre teu coment no post sobre o "Cigarro":

concordo plenamente com vc...
nd melhor que ouvir uma boa música quando se está feliz, triste estressado ou sei lá o q...rrss

Sobre teu post:

mt bom o post...
a parte em que ele deduz que ela é "senhorita" foi sensacional...rsrs
po, o final com ele pegando ela era maneiro...haha
já aconteceu vários diálogos desse comigo, graças a promoção "oi 31 anos"...
não sei se vc sabe, mas a OI vendeu alguns chips com essa promoção que fala com outro OI qualquer de graça, por 31 anos...
com isso já recebi várias ligações de desconhecidas...as vzs rolava um papo maneiro, mas não cheguei a pegar nenhuma delas..rsrs
infelizmente..rsrs

Retorne ao Reflexões quando puder...

Se quiser conferir a segunda parte do post que vc comentou, aqui está o link:

http://reflexoesdeumlouco.blogspot.com/2008/01/cigarro-parte-ii-porque-ainda-existe.html

Grande abraço!

Bernardo Lima disse...

po, cara, foi mal por ter ficado tão grande...
rsrs

:S

luma disse...

É uma brincadeira muito boa para se fazer com quem conhecemos. Então, os dois já se conheciam - ela só mentiu o nome! :=))) Beijus

Flávia disse...

Quando ligam lá pra casa enganados,meu pai diz que a pessoa está no banheiro que é pta esperar só um pouquinho e larga a criatura por horas esperando.......kkkkkkkkkk

bjs

ps. adorei o post.

Juliana Caribé disse...

Adorei. E eu gostei do segundo final. É menos óbvio...

Fada disse...

Caracaaaaaaaaaa

Isso é sacanagem...eu "comi" esse post...e agora eu que devo criar o final?!!

Nossa imaginei mil besteiras....

Cara nao sei nem o q escrever...rsrss

Mil beijokassssssss

Ahh Parabens pelo selinho.. ;)

Vita Brevis disse...

Eu prefiro o final mais otimista...

Muito interessante sua história, valeu a pena ler até o final e ficar curiosa pra saber se a Lívia realmente existia!

Beijos,
Rafaela

Priscila Petrarca disse...

sioausoau
muito bom o final! aliás, o quase final não é mesmo?! Imaginei tantos aqui.. haha
gostei demais! beijão

Amanda Bia disse...

ah eu gosto do final feliz em que eles vão tomar café e descobrem que são o amor da vida um do outro!
eu poderia encontrar o amor da minha vida assim não poderia?!
beijos!

Vita Brevis disse...

Pode continuar me visitando que eu continuo te lendo por aqui...

Adorei o título do blog e a forma como vc comenta. É que tbm sou míope e acredito que isso nos torna um pouco mais observadores que os outros.

Beijos,
Rafa

P.s.: Vou te linkar, pode?

Wallacy disse...

hauahuah, diante de tudo isso eu sou mais cético do que otimista, hehe

Abç!

Juliana Caribé disse...

Obrigada você também pela visita.

(E apareça sempre!)

Vita Brevis disse...

Claro, pode me add então!

Lara Marques disse...

o melhor é a história dos dois não ter final. assim, eterno.

mas que deu vontade de tentar reproduzi-la, ah se deu.

abração.