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Achados e Perdidos SA #2

(Perdeu o primeiro caso? Clique aqui)

Benjamim estava entediado. Do prédio, quase deitado em sua cadeira, ele olhava o movimento e se questionava se as pessoas não tinham mais problemas. “Não. Elas só os ignoram”, ele sentenciou. Desde o trabalho da clonagem, nada de interessante havia aparecido para resolver, apenas as mesmas coisas de sempre: vigiar maridos, procurar coisas insignificantes, pregar peças... Ele fechava os olhos, lentamente, como se desistisse de esperar por um caso empolgante e os abria de repente, esperançoso. Ao abrir os olhos num dado momento, viu que um sujeito engraçado vinha em direção ao prédio. Tinha aparência cansada, andava encurvado e vestia-se mal. “Interessante, bem que poderia estar procurando ajuda”, pensou ele.

Edgar tremia. Agora não poderia mais voltar, não aguentava mais. Embora não houvesse placa que indicasse, a empresa obscura “Achados e Perdidos SA” ficava ali. Caminhou até a porta e cumprimentou o porteiro, desconfiado. Este lhe devolveu um sorriso e um bom dia. “Sala 515 - 5º andar”, dizia o cartão. Edgar entrou no elevador e tentou ficar calmo. Encaminhou-se para a sala, bateu à porta. Após um pigarro, uma voz confiável disse que poderia entrar.

- Bom dia! – Disse Benjamim, entusiasmado.

Edgar analisou o local, imediatamente. Tudo muito limpo, simples, agradável. Direcionou o olhar para o homem que estava à sua frente, de braço estendido. Parecia confiável.

- Bom dia. – Respondeu Edgar, paradoxal, dando um aperto de mão flácido.
- Sente-se, por favor.
- Obrigado.
- Diga-me, Sr...
- Edgar.
- Muito bem. Sr. Edgar. Vejo que está tenso, acalme-se, por favor. Aceita um chá, água, suco?
- Não, obrigado. Sr...
- Benjamim.
- Sr. Benjamim, eu aceitaria uma breve explicação do tipo de serviço feito aqui.
- Certamente. - Os olhos de Benjamim faiscavam. – A Achados e Perdidos SA é uma empresa que encontra ou faz coisas desaparecerem (e tudo que isso implica). Nós visamos soluções para problemas diversos. Antes que pergunte, estamos dentro da lei.
- Sim... Fico aliviado, de certa forma... Talvez seus serviços me sejam úteis.

Benjamim estava empolgado, mas por fora era o mais tranquilo e confiável possível. Imaginava se não estaria se precipitando ao ficar tão entusiasmado sem saber o que aquele homem precisava realmente. Caso não correspondesse às suas expectativas, seria uma frustração esmagadora. Benjamim roia unhas imaginárias. Edgar suava frio. De repente, este se levantou e disse a seguinte frase:

- Eu perdi minha juventude.

(CONTINUA)

6 comentários:

Alice Pio disse...

Ahh!! vc sempre faz isso e eu sempre caio! Fico louca de curiosidade pelo final!

Reclamações a parte, muito bom... já até imagino um final inimaginável!

teka disse...

Poxa se você não postar logo, perderei minha juventude de curiosidade...rsrs
Nem preciso elogiar, você sabe o quanto gosto de seu modo de escrever...Nosso orgulho!
;]

BioFotografia disse...

Mna... que isso? Eu tô agoniado já! Li primeira parte e já fui sedento pra segunda... milas, né?! Tá empolgante a parada! aushuahsua

Luc disse...

Mas tou curtindo esse blog, hein.

Gustavo Hermes Soares disse...

OMG! Vem bomba por aí!

Estou curiosíssimo! Não me decepcione!

abraços

Pedro Ivo disse...

vei! tô sentindo reviravolta no ar! haha
é impressão minha, ou a atmosfera misteriosa tem influência do mestre Kishimoto? ;D

o/