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Pérolas da Mágica

O mágico sorria, enigmático. Vestia-se sempre de preto, discreto e sorrateiro. O cabelo, encaracolado e cheio, escondia a maioria de suas expressões e também o que mais denuncia os sentimentos: os olhos. Ele era de postura impecável, gestos calculados e carisma único, mesmo que contido. “El Niegro”, como era chamado, se apresentava as terças e quintas, num pequeno palco de um velho teatro que ficava no subúrbio da cidade, e atraía sempre um grande público. Não tinha assistentes de palco, pois julgava um truque velho usá-las como distração para encobrir outros truques. Após seu show, sempre saía acompanhado de mulheres belas e ricas (em meio a uma cortina de fumaça, vale ressaltar).

Em uma quinta feira qualquer, El Niegro saiu com uma mulher chamada Roberta. Enquanto caminhavam ele retirou um pedaço de papel do bolso e com movimentos rápidos o transformou numa rosa branca. Roberta sorriu e El Niegro a beijou. Durante o beijo, o mágico retirava pérola por pérola de um colar que sua vítima estava usando. Após beijá-la, ele forjou uma ligação telefônica, retirando o próprio celular da bolsa dela. Enquanto Roberta se divertia com as mágicas, perdia também a sua carteira.

El Niegro se desculpou dizendo que houve um imprevisto e disse que deveria ir. Antes, fez movimentos rápidos com as mãos e ao mesmo tempo apareceu um táxi. Ele conduziu Roberta até o veículo que surgiu do nada e pagou o taxista. Ela agarrou o mágico, desesperada, e entregou o número do seu celular, implorando que ele ligasse. O mágico assentiu. Roberta acenava até ver o mágico desaparecer em meio à fumaça.

- Para onde vai, Madame? – Perguntou o taxista.
- Comemorar... Vá para a boate mais próxima. – Respondeu ela.
- Hum. Perdoe-me pela curiosidade, mas qual o motivo de tanta felicidade?
- Mágica. – Disse ela, sorrindo maliciosamente.

El Niegro comemorava mais uma noite de sucesso. Conseguira depenar mais uma socialite. “A melhor parte é que elas nunca percebem”, pensou ele. Colocou a mão no bolso e retirou as pérolas que acabava de adquirir. Elas brilhavam ferozmente, tanto que ele conseguiu enxergar letras nelas. Havia um “T”, um “R”, um “Á”, um “O”, um “I”, e por fim, outro “O”. Ele organizou as letras e arregalou os olhos, pois elas formavam a palavra “OTÁRIO”. Ao mesmo tempo, ele colocou a mão no bolso para procurar a carteira que havia roubado. Não havia carteira.

- Vagabunda! – Disse ele, irritado.

Furioso, ele pegou o número do celular dela e telefonou. Ninguém atendia, até que escutou uma mensagem gravada: “Olá! Nós somos a Companhia de Mágica ‘The Roberts’! Nós fazemos qualquer evento: aniversários, formaturas, casamentos e etc. Só não fazemos sua carteira aparecer de novo. Ligue mais tarde!” El Niegro explodiu. Imaginou uma coisa e colocou a mão no bolso. “Não, seria muita audácia”, pensou ele. Que surpresa não foi ver que sua carteira também havia sumido?

6 comentários:

Ivo Dias disse...

wow!

foi baseado em fatos reais?
quem é ela? hahahaha

-
muito bom, muito bom!

Mary_Flor disse...

Quem é ela??
^^
Muito bom o texto. A D O R E I!
E brigadaço pela visita no meu blog.
Vou passar mais por aqui, o blog é de qualidade.
Beijos
Bom final de semana!
=)

Lua Durand disse...

hehehe
muito bom o texto!
Uma hora o feitiço haveria de se voltar contra o feiticeiro, não?
Eu gosto de como tu escreve, e como desenvolve a narrativa, foge ao obvio, e isso é muito bom!

=*

BioFotografia disse...

UAHUSHUAHUS :D Que isso, mey? Corram para as colinas! Cara... fquei crente que o cara era quase o V de Vingança... e ele acabou sendo o "Otávio"!

Esther Soares disse...

Ri muito...

Comédia com surpresa é uma coisa difícil de se achar.Parabéns! [voltarei com certeza]

Hasta!

Bruna Pires disse...

Cara, já assistiu Arsène Lupin? Lembra muito essa história :D Parabéns, o envolvimento que você faz existir aqui, é coisa que poucos escritores conseguem fazer.