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Problema do Passado

Ivo não aguentava mais. Tinha medo da própria sombra. A tensão era tão grande que tinha medo que as gotas de suor fizessem barulho se caíssem no chão. Estava fugindo há horas de um perseguidor implacável e escondeu-se, desconfortavelmente, numa valeta escura. Será que saía dali correndo ou o perseguidor estava só esperando ele fazer isso? Escutou um barulho. Estômago? Fome logo agora? Forçou a barriga a se calar. Seu perseguidor estava ali, dentro da valeta. Sabe quando apesar de não escutar, sentir cheiro ou enxergar, sentimos que existe outra pessoa no local? Essa sensação aterrorizante tomou conta de Ivo, que pensou em se entregar mais de uma vez. “Não”, sentenciou ele, tomando conta dos nervos. “Como é odiável... Esgueirando-se pelos becos para capturar alguém. Que tipo de encargo odiável... Espere!” O perseguidor passou e não percebeu que ele estava ali, se afastando cada vez mais. “É minha chance!” Ivo, após vencer o primeiro atrito, saiu da valeta e correu, como se a vida dependesse disso. Esbaforido, chegou a certa parede, a tocou três vezes e gritou com um ar vitorioso: - um, dois, três, salve eu! O perseguidor, soltando espuma pela boca, saiu à procura dos outros. Afinal, se todos se salvassem ele teria que procurar de novo. Esse era o grande problema da brincadeira.

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Singela homenagem do ótica para as crianças, também para os que viveram bem a sua infância e para todos os pais que continuam mantendo as tradições e felicidades para seus filhos. Abç!

3 comentários:

Pedro Ivo disse...

e estou feliz pela homenagem também!
minha infância foi tão feliz e linda que acho que a estendi por mais uns 40 anos... (ou mais)
ahsuahsuahsuahusuahs

abração, meu amigo!

Lucas disse...

Droooooooooga man! Fui ludibriado! uahsuahsuahs... curti, Heldão!

@jujubahia disse...

Bons tempos e bons problemas do passado, que não deixaram de trazer doces lembranças, apesar da atmosfera de suspense ;)