Damon caminhava de forma mecânica, pois pensava muito quando tinha tempo sobrando. Estava desconfortável. A gola apertava a garganta por fora e por dentro: a camisa era um presente dela. Apesar do fim ter sido um acerto dos dois, demora um pouco pra se estabilizar, ainda mais quando existem motivos pra se lembrar disso. Jogaria a camisa fora, estava decidido. Não, melhor, doaria pra alguém. Alguém sem pescoço grosso e possivelmente sem nó na garganta. Colocou o dedo por dentro da gola para aliviar um pouco e acabou raspando de leve nos fiapos do rosto.
Barba. Estava cheia, escura e lhe conferia um ar sóbrio, maduro. Ela pedia sempre pra deixar crescer, gostava de brincar com os fios alaranjados e lisos. A barba sempre irritava a sua pele. Damon ficava irritado, integralmente. Coçava, nervoso. Faria a barba com muito prazer, aproveitando cada passagem da lâmina sobre o rosto. Enquanto coçava, a enorme unha do dedo mínimo cortou levemente a superfície do rosto.
Violão. Aprendera exclusivamente para tocar músicas que traziam paz para ela, gostava do seu rosto sereno. Apararia as unhas e quebraria o instrumento maldito em pedaços, num golpe só, como fazem os roqueiros. Sempre gostara mais de instrumentos de sopro. Tocaria saxofone. Uma tímida gota de sangue escorreu pelo arranhão no rosto e ele a enxugou.
Vermelho. Cor favorita dela. Uma vez ele cortou-se com a faca enquanto fazia um molho de tomate e ela correu para estancar o sangue. Pelo visto não era por cuidado, era porque gostava de ver a cor. Vagabunda. Agora fazia sentido. Tiraria tudo de vermelho que houvesse na casa e não comeria mais tomates, teria pavor de tomates pelo resto da vida.
Chegou em casa, foi tomar um banho. Pegou a lâmina para se barbear, largou-a. Vestiu-se com a camisa que acabara de usar e colocou um casaco vermelho por cima. Cortou tomates e fez um molho para o macarrão. Enquanto cozinhava, começou a tocar “Peixeiro” da banda Apanhador Só, com o violão maldito. Repetiria esse ritual duas ou três vezes até que fosse definitivo. Esboçou um sorriso. Era o último ato que ele poderia fazer pelos dois.
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Apostas? http://istodoit.blogspot.com/
8 Ponto(s) de Vista:
Haha, é sempre assim mesmo.
A gente sempre engana a nós mesmos, fingimos que vamos esquecer a pessoa que amamos e no mesmo segundo estamos lá, pensando nela!
Grande beijo!
Ah, estou seguindo-te.
Porque não adiciona um bloco de seguidores ao lado? Facilitaria que as pessoas seguissem seu blog.
É só uma opnião claro.
Gosto muito daqui.
Amei Heldimmmmmm, é a mais pura verdade, agente p/ esquecer fica lembrando o tempo todo ahuahuahua...
Se foi importante, é melhor guardar o que foi bom do que apagar o que, um dia, se fez parte de nós. Sim, isso soou muuuito auto-ajuda.HAuehauheuae. Massa demais, Hélder!
Vale esclarecer que o que soou auto-ajuda foi o meu comentário, e não o texto. Auto-ajuda é tosco, o texto é bom por demais. o/
Tomar decisões... nem todos sabem. uhuehueh... curti a sequência que liga à primeira palavra do próximo parágrafo... me lembrei da revista Superinteressante!
Massa, man!
É mesmo assim.
Não consegue deixar de fazer coisas que nos lembram o amor.
Apanhador Só, ótimo ^^
Amei o texto...
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