+ textos

Achados e Perdidos SA #3

Benjamim deslizava pelo piso na cadeira de rodinhas. Ninguém o julgaria imaturo, afinal, estava relaxando ao calcular mentalmente a velocidade daquele móvel. Ele mesmo já havia se censurado pela mania com os números, mas não deu muito certo: cursou Matemática, Física, Economia e ainda Administração. Aproveitou ao máximo o tempo em seus trinta e nove anos de vida.

Mesmo assim, nunca foi suficiente ser pós-graduado em seus quatro cursos, dar aulas em várias faculdades, escrever, participar de fóruns, associações e ONGs. Ele precisava de mais, ele queria ajudar as pessoas (se ajudando). A verdade é que todos nós precisamos de auxílio específico em algum momento e não sabemos a quem recorrer, daí surgiu a Achados e Perdidos SA. Essa empresa seria a solução para esses problemas.

Benjamim precisava de sócios, era um projeto grande. Escolheu Sofia (36), Maximus (43), Anita (25) e Escobar (20). A primeira é uma mulher fascinante, doutora em artes e dançarina famosa. Chuck Norris (ou Maximus) é um homem forte e altamente capacitado, formado em direito e ex-agente especial de várias empresas de segurança. Anita, mulher inteligente e de beleza simples, fala quatro idiomas (inglês, espanhol, alemão, incluindo o português) e é formada em Administração e Relações Exteriores. Por fim, Escobar, que não tinha formação superior, não por falta de capacidade e sim porque não via interesse em nada do tipo. Tinha um QI respeitável, criatividade e computadores, não precisava de mais nada.

Benjamim terminava de lembrar-se de forma contemplativa o que construiu, quando bateram na porta. Fez um último movimento com a cadeira de rodinhas, friamente calculado, parando exatamente atrás da mesa e empertigou-se. Permitiu a entrada do estranho e sentiu a mesma empolgação que sempre acompanhava um novo caso (pelo menos até a pessoa dizer do que se tratava).

- Bom dia! – ele iniciou o diálogo.

- Bom dia! – o outro reagiu.

- Meu nome é Benjamim, como posso chamá-lo?

- Ícaro, muito prazer. – Notava-se medo na voz, mas ao mesmo tempo determinação.

- Muito bem, Sr. Ícaro... Em que posso ajudá-lo? – Benjamim torcia mentalmente pra que fosse algo incrível.

- Acontece que... Eu preciso ser roubado.

(CONTINUA)

Nenhum comentário: