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Achados e Perdidos SA #3.3

Parte I

Parte II

Parte III

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Era sexta-feira, 10h57min da manhã. Ícaro e seu subordinado, inquietos, aguardavam a chegada dos japoneses ao restaurante Brazil. Momentos antes, Ícaro havia atendido uma ligação misteriosa. Às 11h, pontualmente, os japoneses adentraram o local. Dois empresários e dois seguranças, como previsto. A reunião começava ali.

Ao mesmo tempo, um homem observava as ruas próximas ao restaurante em vários monitores. Ainda havia pouco movimento, mas em instantes, devido ao horário de pico, o fluxo aumentaria consideravelmente. Um dos seguranças japoneses olhou desconfiado através da grande divisória de vidro do restaurante. Teve a impressão que dois dos pedestres já haviam passado por ali uma vez. Ícaro percebeu e engoliu seco.

Terminada a reunião, com o contrato dependendo apenas da análise das informações da empresa, a pasta com os dados foi entregue. Os japoneses se retiraram e Ícaro deu alguns toques no seu IPad, fazendo promessas desesperadas. Num outro lugar, alguém recebeu uma mensagem com a palavra “ok”. Instantaneamente, um portador de necessidades especiais preparou-se para atravessar a rua.

Uma Mercedes liderava a fila de carros e dentro dela dois japoneses conversavam em sua própria língua. O segurança dirigia concentrado. Faltavam 10 segundos para o sinal fechar, daria tempo de atravessar. O japonês acelerou. Como se passasse apenas um segundo, o sinal mudou de 10 segundos para um. O cadeirante atravessou ao ver que o sinal abriu para os pedestres. O motorista entrou em desespero, não conseguiria parar a tempo. O cadeirante entrou em desespero, não conseguiria sair dali a tempo.

Com muita habilidade, o motorista conseguiu parar quase em cima do portador de deficiência, que imediatamente após o susto, aparentava estar passando mal. Uma grande quantidade de pessoas começou a fazer um círculo em volta do quase acidente. O japonês que estava ao volante saiu para socorrer o cadeirante, mas tudo se tornou uma grande confusão, pois ele começou a falar em japonês e os curiosos não entendiam. O segundo segurança foi obrigado a sair do carro para ajudar a resolver as coisas, pois sabia falar português.

Os dois executivos estavam impacientes dentro do carro. Vários adolescentes aproveitavam a multidão para mostrar suas habilidades com malabares, laranjas ou qualquer coisa que pudesse ser jogada para cima. Foram passando de carro em carro para pedir alguns trocados, até que chegaram à Mercedes:

- Tio, me arranja uma moeda?

Os japoneses não entenderam e acionaram o fechamento automático dos vidros. Num milésimo de segundo, um dos adolescentes se esticou para roubar a pasta que estava entre eles. Os homens de dentro do carro seguraram a pasta. Houve uma disputa de cabo de guerra entre os adolescentes do sinal e os orientais. Nesse instante, o vidro automático fechou prendendo a mão de um dos japoneses. Os moleques correram com a pasta, rindo dos gritos histéricos do japonês que, traduzindo para o português, queriam dizer: “pega ladrão!”.

(CONTINUA)

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