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Esse texto é diferente dos que posto aqui. Sua finalidade é, antes de qualquer coisa, registrar. Na iminência de completar duas décadas, de arredondar os números, senti a necessidade de traçar uma espécie de mapa sobre mim. Não acredito que o limitar da frase “definir é limitar” seja algo negativo. Eu prefiro a segurança de conhecer (pelo menos deduzir) minhas extensões. Aqui eu não me preocupei com a ligação entre os temas, com o tamanho do texto ou modéstia.

Eu procuro qualidades que não são minhas. Sou um introvertido que não aceita os contras dessa condição,  admira e deseja os prós do extrovertido. Sou inquieto dentro da calmaria que externo, buscando a serenidade que tanto admiro. Tenho tendência a melancolia, mas não resisto ao bom humor. Sou um observador que não gosta de ser observado e ao mesmo tempo quer protagonizar a vida. Não sou explícito, mas me esforço em me expressar e ser compreendido.

Sou sumido, desapareço com frequência. Acredito na lei de ação e reação (de forma física ou abstrata). Sou filósofo de janela de ônibus, de filosofia barata e acessível. Sou artista e vejo arte onde não tem. Sou preguiçoso pra conversas, mas acho o silêncio constrangedor. Prefiro não falar nos primeiros minutos do dia. Nunca tenho respostas prontas, moro com desaforos de toda espécie. Não gosto e não sei falar ao telefone, em  mim ele causa tensão e ansiedade. Tenho agonia de quem fala alto.

Fico batendo os pés, apertando as mãos, me ajeitando na cadeira, sou desassossegado. Prefiro caminhar a esperar. Sou aspirante a músico. Sou da música desde cedo. Quero cantar e tocar todo instrumento - em especial o violão, ainda não desisti dele. Com meus fones de ouvido vou cantando minha seleção de músicas e imaginando um show da minha banda imaginária (não me julgue louco se me vir cantando na rua ou fazendo algum gesto que lembre vagamente algum instrumento musical, trata-se do êxtase que a música me traz). Sinto felicidade fácil ao encontrar uma música do meu gosto. Acho divertido lembrar das antigas, clássicas, lendárias.

Sou de riso fácil, chegando a parecer desespero tamanha facilidade. Frequentemente sou chamado de besta. Sou o cara das piadas por SMS. Dou risada das minhas próprias bobagens e me torno um ser autodivertido. Bobagem nada, se faz rir não é bobagem: é essencial. Sou criativo, as coisas explodem em minha cabeça. Quero inspiração. Sou escritor do “A Ótica de um Míope”, do “Do It”, do “Vitória da Conquista em foco”, do meu caderno, do meu celular, do meu computador. Quando escrevo, realizo o sonho de escrever e também outros sonhos através dos personagens. Quero escrever um livro (pelo menos).

Eu sou todo livro que já li. Inclusive quem leu 25 livros de Agatha Christie e quer completar os 80 e poucos que ela escreveu. Gosto de sebos/livrarias. Quero tempo pra ler. Quero tempo pra cumprir o que prometi. Sou procrastinador, enrolado e angustiado por causa disso. Não gosto de coisas inacabadas, apesar de elas serem resultado da vontade de viver. Sou inimigo da frustração, mas não deixo de criar expectativas.

Sou o irmão mais velho de uma família que amo. Me sinto aliviado em ter nascido nos anos 90 e aproveitado tão bem a infância. Sou responsável e cauteloso. Já fui chorão, mas hoje em dia é necessário um motivo sério para que alguma lágrima role. No máximo, o olho fica marejado e logo é interrompido pela razão que dá um alerta de drama exagerado. Sou canhoto. Não fumo, não bebo, nem tenho vontade de usar qualquer droga. Sou baiano que mora numa cidade mais fria que de costume. Não sou preguiçoso, não sou fã pagodão e tampouco muito atraído por axé. Sou flamenguista, mas não dos chatos. Temo não ter talento algum pra esportes, mas não me convenço tão fácil.

Sou só e por vezes uso a arte de evitar pessoas. Poucas pessoas me encantam. Sou majoritariamente bondoso. Procuro não julgar ou maldizer e procuro excluir a hipocrisia. Sou leal. Amo meus amigos no sentido exato do verbo. Acho sacanagem da pior espécie toda forma de traição. Não gosto de vitimização nem da recusa de raciocinar algo óbvio quando existe a possibilidade de perguntar. Só que também sou majoritariamente complacente. Minha consciência é irritantemente incômoda. Penso muito e pensar demais faz mal.

Acho Deus engraçado. Ele sempre dá um jeitinho de sinalizar, alertar, de se fazer presente em minha vida. Não poderia deixar acreditar Nele nem se quisesse. Sou católico. Eu acredito na minha religião apesar dos erros cometidos por todos nós que nos dizemos católicos, ontem e hoje. Fico perturbado com as ofensas contra a minha Igreja e a incompreensão sobre a liberdade de escolha que é inata em mim e em todo ser humano. Sou católico porque quero e boa parte do que há de melhor em mim se deve a religião.

Sou fã dos melhores e piores filmes de todos os tempos e também dos seriados. Prefiro legendado. Gosto do ambiente do cinema, das boas companhias aspirantes a comentarista do Oscar. Gosto de desenhos animados e não deixarei de gostar por causa da idade. Sou desenhista, mas nada profissional. Sou caseiro, mas saio em busca dos prós do lado de fora. Sou um jovem idoso. Prefiro o frio e acho dias nublados mais bonitos que os ensolarados.

Sou alto e magro desde que me lembro. Se dependesse da minha teimosia, continuaria magro só pra representar alguma resistência a esse molde de perfeição física, mas pretendo entrar numa academia em busca de saúde e, em último caso, de estética. Tenho uma aparência que seria definida como “nerd”, pena que sou apenas um esforçado de QI mediano. Ainda não achei um penteado do meu gosto.

Prefiro a noite ao dia e tenho uma queda pela madrugada. Sou estúpido geograficamente falando. Mesmo assim, desejo dar uma volta ao mundo (de mochilão ou não) com um amigo e quem mais quiser. Gosto de fotografias e o poder delas sobre o tempo. Sou fascinado por viagens, mas ainda não existe nada como minha casa. Sou viciado em novidades, mas desejo a segurança da rotina. As mudanças encantam e amedrontam, as reviravoltas mais ainda.

Sou romântico numa época que isso é considerado "viadagem", fraqueza ou qualquer coisa do tipo. Sou tímido e cauteloso. Quero casar e ter dois filhos: um menino e uma menina. Sei cozinhar coisas simples, mas fica bom no final das contas. Tenho alguns talentos domésticos. Quando foi que isso aqui virou propaganda pra solteiro em site de relacionamento mesmo? Sou esquecido e teimoso. Sou autosuficiente ou pelo menos acredito nisso.

Sou atrapalhado, derrubo as coisas. Por exemplo: sou o cara de derruba o refrigerante nas festas. Tenho a capacidade de me machucar em dois lugares de uma vez. Fico lerdo quando estou sob pressão. Sou algo indefinido entre o organizado e o desorganizado: quero as coisas perfeitamente simétricas, mas não consigo manter o quarto arrumado. Sou autocrítico e perfeccionista, mas me dou folgas às vezes. Desejo compreender o mundo e quero que o mundo me compreenda.

Vivo estabelecendo marcos zero: às manhãs, às segundas-feiras, aos dias primeiros, aos inícios de semestre, aos começos de ano, aos aniversários. Serei diferente, serei melhor, serei quem eu desejo ser, ainda não sei quando, mas será a partir de um marco zero. Quem sabe não é nesse dia dois de setembro de 2011?


11 comentários:

Juliana S. Santos disse...

Oun, que bonitinho! Soube usar muito bem os clichês... me identifiquei com muita coisa e não poderia ser diferente, depois de ~tantos anos~ aushuashaushaush

Bruna Pires disse...

Tenho percebido que a admiração que tenho por você é diretamente proporcional ao tempo que lhe conheço. Quanto mais lhe conheço, mais lhe admiro.. Parabéns SR. INCRÍVEL. Principalmente pelo texto. :D

Alice Pio disse...

Faltou dizer uma coisa, mas como eu desconfio que foi pela modéstia, eu acrescento aqui e fica só como prêmio pra quem for ler o comentários:

"reúno todas as qualidades de um amigo de verdade e faço isso sem o menor esforço"

Vc é daquele tipo de gente que transforma 290km em nada. Por isso, eu te amo tanto!

Daniel Simões Coelho disse...

Simplesmente SENSACIONAL , o melhor texto de todos que eu já li. (nem venha me chamar de exagerado).

Bom conhecer essas coisas sobre você, apesar de te considerar um grande amigo, não sou afortunado como seus demais amigos em conhecê-lo pessoalmente.

Sua amizade foi um presente para mim, consegue ser um grande irmão sem muito esforço mesmo, como foi comentado acima.

Os marcos zeros são importantes, pois neles nos apoiamos como metas, metas a cumprir, metas a vencer. Se você não atingí-las, não quer dizer que fracassou, você é vitorioso porque tentou.

Nesse seu novo marco zero, desejo um inicio com muito sucesso para você e para os que estão próximos a você.

Abração do seu amigo virtual!

DSC

Glauber disse...

Faço das palavras de Bruna e Alice, as minhas...

E, Alice, o rapaz tá ficando bom em transformar distâncias em nada. Os 750Km aqui já foram. rs

Abraço, irmão!

andreia_s_cn disse...

Nossa! Que beleza,pude contemplar em cada momento ,só nas olhadelas, você escrevendo esse texto, e agora pude lê-lo e confirmar quanto você é maravilhoso, sou muito feliz em tê-lo comigo, em vê-lo chegar e sair,sempre tão esforçado e saber que o que você conquista a cada dia é por conta da sua fidelidade com Deus ,com seus pais ,amigos e consigo mesmo.Amamos você pelo que você é e pelo que faz por cada um de nós,enfim, pelo fato de simplismente existir.
Beijos meu rapaz.Que Deus o proteja sempre e que Nossa Senhora interceda para que a pessoa tão acertada chegue no momento certo.

Laís Freitas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Laís Freitas disse...

Opa! Meus parabéns atrasados. Aniversários sempre remetem uma autoavaliação, e é sempre bom olhar pra dentro de si de vez em quando.
Seu texto me lembrou algo que eu escrevi há pouco tempo:

"Invariavelmente variável, permanentemente indisponível, estrategicamente espontânea. Contradições dentro de mim tornam tudo mais interessante, mais entediante, ou não."

Parece que temos uma tendência a sustentar opostos complementares. rsrrs

=***

Agnes Aguiar disse...
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Agnes Aguiar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Agnes Aguiar disse...

Lembrei de você. Estudou no Cefet, né?

Conheci seu blog tem pouco tempo. Esqueci de salvar entre os favoritos, mas que bom que encontrei de novo. Ufa!

Me vi em alguns pontos do seu texto, mas o mais engraçado foi ler que tu não gosta e não sabe falar ao telefone. [2 membros]. Haha.

Teu espaço é muito bom, Hélder.