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Tardinha



Arquivo pessoal.

Deposito nesse espaço de tempo sensações que, embora não possa lhes garantir sucesso, procurarei externar com alta fidelidade. Essa dificuldade é própria do indizível que precisa ser dito e por isso traz uma solidão que não dá as mãos para a tristeza ou o egoísmo, é solidão só. Conformada. De uma beleza que não se deve a comoções coletivas, mas a comoção individual, que marca fundo na alma essas novas linhas em relevo, impressões digitais. 

Eu deito no fim de tarde com um descanso que minha cama e meu travesseiro não permitem. Nem o abraço amigo, o cafuné apaixonado ou o colo da mãe. Aqueles poucos minutos que transitam entre o dia e a noite me alcançam um contentamento diferente. Perpassa meus sentidos, que não conseguem deixar de acompanhá-lo, tão cativante lhes parece.

De minha casa, vejo as árvores agitadas através da janela da cozinha enquanto a penumbra obstinada nos cerca. Da porta da rua, deixo passar por mim o vento - já mais frio - enquanto o Sol derruba a monocromia do céu, deixando-o no ápice de sua beleza. Contemplo o fim de tarde de onde estiver. Até da imaginação, onde penso em muita gente no fim do expediente voltando para casa. Banho, café, sofá, bicho de estimação, caminhada. Algum sossego na vida.

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